Somos um time, não uma família (Marc Randolph)

O primeiro texto longo de Marc Randolph (Netflix) reflete o que repito a pelo menos oito anos: nossos times deveriam se parecer como times esportivos do que nossa família. Sou avesso ao termo “família” na empresa, por essas e outras.

Não poderia ser melhor que o texto, em tradução livre:

“Pare de me dizer que a sua empresa é como uma família.
Não é. Pense por um instante: quando foi a última vez que você demitiu alguém da sua família?

Na Netflix, por exemplo, nunca nos vimos como uma família. Nós nos considerávamos um time esportivo. E não um time de escolinha, onde todo mundo joga e ganha um troféu. Não. Somos um time profissional, jogando no mais alto nível.

E a minha responsabilidade, quando eu era gestor, não era garantir que todos tivessem tempo de jogo. Era garantir que eu colocasse em campo o melhor time possível em cada partida. Eu fazia isso porque devia isso aos donos do time. Devia isso aos torcedores. E, mais importante, devia isso aos outros jogadores.

Aprendi há muito tempo que o que os melhores jogadores querem de mim não é que eu escale alguém porque “ele é um cara legal” ou porque “ela vai ficar chateada se não jogar”. Eles querem saber que todos são excelentes em suas posições. Querem saber que todos os outros estão se esforçando tanto quanto eles. Eles querem vencer.

É por isso que o seu trabalho como gestor não é apenas contratar bem e motivar o time. Existe uma tarefa ainda mais importante quando alguém não está jogando bem: é você quem precisa sentar com a pessoa e explicar por que ela está sendo mandada para a equipe reserva.

Isso é especialmente difícil em startups, porque em quase todos os casos, as pessoas com quem você começa não são as mesmas com quem você termina.

No início, você procura generalistas. Como ainda não sabe exatamente no que cada pessoa precisará ser excelente, você quer gente boa em muitas coisas. Pessoas confortáveis com o fato de que a descrição do cargo vai mudar toda semana. Pessoas motivadas pela aventura, e não pela estabilidade.

Esse primeiro time vai entregar tudo o que tem. Vai deixar empregos mais bem pagos, com ótimos benefícios, para trabalhar por uma fração do salário. Vai trabalhar à noite e nos fins de semana. Vai fazer tudo o que você pedir… e mais um pouco.

Por isso, é especialmente brutal quando a empresa começa a decolar e você precisa sentar com essa pessoa e dizer que ela não seguirá com você para a próxima fase da jornada. Ou que você vai trazer um executivo mais experiente para ocupar o lugar dela.

Essa parte não é fácil nem agradável. Mas, se estamos construindo um time campeão, isso faz parte do trabalho. E se eu não for capaz de fazer isso, então eu também não mereço estar na posição em que estou.” 🏔

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *