Startups não morrem pelo Produto, morrem pelo Founder

De Adam Draper (Boost VC) no X:

“Recentemente fizemos uma análise pós-operatória (post-op) de um dos fundos com mais tempo de operação. Ou seja, voltamos e discutimos todas as vitórias e derrotas desse fundo. Status atual do fundo:

Fundo Alpha

  • Fundo de US$ 6,6 milhões
  • Tamanho típico dos cheques: US$ 10 mil a US$ 50 mil
  • 116 empresas
  • 12 anos de existência
  • 16 exits
  • 32 empresas ainda vivas e em crescimento
  • 1 unicórnio (mas vale notar que estávamos escrevendo cheques de US$ 10 mil nos fundadores mais iniciais possíveis; acredito que teremos muitos outros unicórnios nesse fundo)

Até agora, o fundo já retornou cerca de 2x em caixa e possui mais 7–8x “no papel”.

Pelos métricas tradicionais, é um sucesso — e deve continuar sendo.

Mas quando paramos para avaliar o que funcionou e por quê — ou seja, quais startups deram certo e quais não — a pergunta mais interessante (e mais útil) acabou sendo:

O que não funcionou, e por quê?

O padrão surpreendente

Quando analisamos as empresas que fracassaram, as causas não foram as que normalmente se espera. Não foi:

  • Timing de mercado
  • Risco tecnológico
  • Concorrência
  • Capacidade de levantar capital

Quase todos os fracassos estavam ligados a “minas terrestres pessoais” dos fundadores.

Repetidamente, os mesmos temas apareceram:

  • Divórcio
  • Rompimento entre fundadores
  • Problemas com drogas
  • Mudança de prioridades (“agora eu quero um emprego”)
  • Casamento → mudança de prioridades

Nos estágios mais iniciais, startups normalmente não morrem porque a ideia é ruim ou porque o fundador não consegue construir um negócio (embora isso aconteça). Elas morrem porque o fundador muda ao longo do tempo.

A vida acontece. As pessoas evoluem. A pressão se acumula. Os incentivos mudam.

E quando você investe tão cedo, você não está “subscrcrevendo” um mercado ou um produto — você está apostando em um ser humano ao longo de um período muito longo.

O aprendizado

Essa análise reforçou algo que intuitivamente já sabíamos, mas ainda não tínhamos formulado com clareza:

  • Fundar uma empresa é difícil.
  • A durabilidade e o comprometimento do fundador importam mais do que quase qualquer outra coisa.
  • Momentum é a energia que alimenta a empresa.

Tudo aquilo de que empreendedores e VCs falam ainda importa: talento importa, visão importa, timing importa.

Mas a capacidade de atravessar eventos da vida sem perder momentum talvez seja a variável mais subestimada no venture capital.

Se você é fundador: isso não é um julgamento. Meu avô costumava dizer que empreendedores têm a maior probabilidade de divórcio — e acho interessante que, na maioria dos casos em que houve divórcio no nosso portfólio, isso significou que a empresa não continuaria.

Nossa conclusão foi que a vida encontra maneiras de colocar resistência no momentum do fundador — e, às vezes, essa resistência mata a capacidade do fundador de continuar lutando.

Sinceramente, olhar para isso em retrospecto faz com que eu e o time da Boost VC admiremos ainda mais os fundadores. Isso nos lembra que eles não estão apenas construindo uma empresa, mas construindo a vida que querem viver.” 🏔

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