Sobre dizer: “E daí?” para números inúteis

Ouvi um bom Podcast do Abreu com Rodrigo Fernandes e André Gouvinhas.

Rodrigo, já citado inúmeras vezes fez uma ótima provocação que trago aqui:

“Em nossas empresas temos diversas métricas, indicadores, números…

Mas e daí? O que isto está dizendo?

Se não temos uma história para contar sobre esta métrica, elas podem se tornar inúteis.

No início dos anos 2000 víamos muita coisa sobre BI. Abríamos a tela, dezenas de indicadores, e qual ponteiro estavam movendo? Se não tivermos uma pessoa para falar: “E daí?”, não adianta.

Em resumo, temos que traduzir NÚMEROS -> em ESTRATÉGIA”.

Recrute de empresas apenas alguns anos à frente

Essa é uma ideia de Brian Halligan da Hubspot, transcrita no Sunday Drops do Lucas Abreu:

“[…] Contratar pessoas de gigantes como Microsoft ou Google pode gerar um descompasso, já que os desafios delas estão em outra escala.

Tivemos sucesso contratando pessoas de empresas que admiramos e estão apenas alguns passos à nossa frente.”

Eu, Lui, concordo completamente. Os grande acertos de contratação que fiz em 2024 foram um misto disso com contratações que já tinham experiência no segmento da nossa empresa.

E sobre não contratar de empresas enormes e muitos anos à frente, tenho que concordar também. Em Startups, por ex., precisamos de pessoas criadoras e que arriscam. (leia Horowitz, que explora bem diferença entre pessoa criadora x administradora)

Esta espécie de padrão funciona tanto para mim que muitas vezes não preciso do processo seletivo dos sonhos e perfeito – o feijão com arroz que garanta os pontos citados acima misturados com sorte (timing) e intuição, funcionam.

Distribuição > Produto?

Estava ouvindo podcast do Lucas Abreu (Abreu Notes) com o Mineiro, e uma boa discussão foi levantada:

“McDonalds não é o melhor hamburger

Skol não é a melhor cerveja

Bradesco não é o melhor banco

TOTVS não é o melhor software

Mas todos eles sabem distribuir seus produtos, sabem vender”

Achei interessante.

Acho que Produtos insurgentes (como Startups) ganham força nesse sentido.

Se depender de mim, seria inimaginável pensar em implantar TOTVS hoje em dia, comparada a um Software eficiente, sem burocracia e com times de clientes renovados.

A distribuição está mais “democrática” pois em poucos segundos conseguimos entender quem são concorrentes daquela solução, por exemplo, e o jogo vai mudando.

Hoje Produto ganha muito mais força, mas para mim Distribuição ainda é a rainha.

Até!

O que o falecido diria? (Ashton Kutcher)

Ouvi um ótimo Podcast do Reid Hoffmann com Ashton Kutcher, link aqui.

Para quem não sabe além de ator, ele é um grande Venture Capitalist e investiu em empresas como Airbnb, Uber, Foursquare, Robin Hood e outras.

Sobre Inteligência Artificial, Ashton relatou:

“Tive um amigo que era rabino. Ele faleceu 8 anos atrás.

Juntei todos os vídeos e livros dele e integrei essa base de dados com o GPT.

Se estou pensando na Torá, consigo ir até o GPT e fazer boas perguntas para trazer a perspectiva que meu amigo provavelmente teria, sobre o assunto.”

Isso soa mórbido demais para você, leitor, ou até algo “sobrenatural” (praticamente, falar com um morto)? Ou é algo completamente comum do nosso universo de AI que precisamos normalizar?

Fica a reflexão!

Trabalho remoto em tech dá certo quando…

Estava pensando sobre aquela dicotomia de:

  • “Na empresa X o remoto dá super certo!” e “Nessa outra voltaram com o presencial por falta de produtividade”

Para mim existem 2 simples fatores que fazem o trabalho remoto em empresas de tecnologia vingar ou não:

1.Senioridade do time

  • Queridos leitores, se o time é Senior (ou maduro) é uma coisa
  • Provavelmente são pessoas que já tiveram alguns anos no presencial, sabem regras básicas e rituais e (pelo menos desde a pandemia) tiveram anos pra “aprender” a produzir e se relacionar-comunicar remotamente
  • Essas pessoas normalmente pensam em fazer cases ou escolheram a empresa a dedo (com outras oportunidades batendo à porta) e querem fazer acontecer
  • Muitas delas entram as 9h e saem as 18h mas são super produtivas nas horas de trabalho
  • Conversei com um founder recentemente que virou muitas chaves optando por trazer um time em sua esmagadora maioria, de Seniores com este perfil que citei
  • Agora, se o time é Junior existem premissas que precisam ser pensadas das coisas mais básicas como rituais; definição de trabalho; entregas; cobranças; comunicação e afins
  • Não é culpa de alguns membros da Geração Z de não terem trabalhado presencial, longe disso, mas a curva de rampeamento sobre ‘definição de trabalho’ precisa ser um assunto relevante -> vai da empresa montar um bom Onboarding de funcionários e acompanhar de perto isso tudo com bons 1-1s, PDIs e afins
  • Leia: ZConomy, vale a pena

2.Momento da empresa

  • Quase ninguém fala disso, mas na real é super relevante!
  • Startups ou empresas pequenas em estágio inicial, muitas que não acharam Product Market Fit ainda, com certeza vão penar mais (ou demorar mais para avançar) no remoto
  • Eu já trabalhei em uma que tenho certeza que se o trabalho fosse presencial ou encontros mais rotineiros e intensos, isso teria acelerado muito as coisas
  • Fato é: empresas sem Playbooks penam mais começando no remoto
  • Já empresas mais maduras, com Playbooks bem definidos e máquinas rodando (Startups mais consolidadas, Scale-ups, etc.) ganham essa facilidade do remoto justamente pois os Playbooks estão lá para serem seguidos
  • Normalmente, existem ferramentas, automações, dashboards e muita clareza em processos. É até fácil entender quem demitir pois as regras são claras, por exemplo

Para mim o sucesso ou fracasso do remoto passa por esses 2 fatores. Até!