5 lições aprendidas com o Pipe Masters 2015

Você sabia que é possível aprender com o esporte? E que tal entender lições importantes com o surf?

Ano após ano, a etapa final do WCT (World Championship Tour) é realizada no North Shore do Hawaii, em pico chamado Pipeline.

O Pipe Masters, portanto, reúne os melhores surfistas da atualidade que têm um objetivo em comum: dropar as melhores ondas.

Antes de tudo:

Quer entender a importância do Hawaii para o surf? Veja este vídeo.

Não sabe como funciona o WCT (World Championship Tour)? Veja este infográfico.

Acompanhe, a seguir, 5 grandes lições que o Pipe Masters de 2015 trouxe para a chegada de um novo ano:

1-Entender o poder da antecipação é estar à frente

O vencedor do mundial de surf em 2015, Adriano de Souza, o Mineirinho sabe bem as vantagens de se ter o poder de antecipação.

Enquanto outros surfistas se espalhavam pelo mundo, ele chegou ao Hawaii cedo. E mais: se hospedou na casa de um surfista local de Pipeline: Jamie O’Brian.

JOB, como é conhecido, é um surfista excêntrico. Patrocinado pela Red Bull, seus filmes viraram uma espécie de Jackass do surf.

O que muitos não lembram (nem eu! correção do amigo Guga Luft) é que há cerca de 6 anos atrás, Mineirinho resolveu fazer amizade e se hospedar na casa de JOB de forma antecipada. Isso se chama ambição.

Imaginem uma onda de 6 pés, descida por um bote com amigos? Ou um surf na lama? E o que dizer de descer uma onda surfando duas pranchas? Pois é, tarefa fácil para Jamie.

De qualquer forma, o ponto é que Pipeline virou o quintal de Mineirinho de forma antecipada. E isso permitiu que a familiaridade e sintonia com o pico o fizessem estar a frente.

Deu certo. Graças a um trabalho de anos, o Brasil levantou seu segundo caneco, após a vitória do paulista Gabriel Medina em 2014.

E você? Já planejou seu 2016 de forma antecipada?

Não, não me refiro a pular sete ondinhas no ano novo, ou prometer algo insustentável. Mas um planejamento completo relacionado aos negócios, a carreira, aos estudos, a vida…

Feche os olhos, e imagine você no final do ano que inicia, olhando pra trás. Quais são suas aspirações?

Quanto mais você se prepara, mais conseguirá enfrentar os desafios que virão.

2-O fim pode dar oportunidade a um novo início

Este ano não foi tão proveitoso? Ok. Lembre-se: ele está acabando!

O surfista australiano Mick Fanning sabe mais que nunca disso.

Após vencer a etapa de Bell’s Beach em seu país, ele foi surpreendido pelo ataque de um tubarão em Jeffrey’s Bay, na África do Sul.

Saiu ileso, porém com um grande susto. A etapa foi finalizada e Fanning dividiu o segundo lugar com o conterrâneo Julian Wilson.

O que ninguém lembra, é que no primeiro surf após o acontecimento, onze dias depois, uma barbatana foi avistada no mar, dessa vez na Austrália.

Tubarões a parte, o maior baque para o tricampeão mundial de surf foi a perda do irmão.

Durante a etapa de Pipeline, Mick recebeu a notícia de que seu irmão mais velho Peter havia morrido enquanto dormia, em sua terra natal. Seu outro irmão, Sean, já era falecido pois em 1998 sofreu um acidente de carro.

Continuando a surfar na etapa, e almejando o título, o sonho do tetra parou nos pés e na criatividade do atual campeão, Medina.

O ponto é: todos vivemos dores. Porém, essas dores não precisam ser estados definitivos.

O fim é destino inevitável pois faz parte do processo que nos torna humanos.

Lembro de uma anedota:

Certa vez, um velho sábio disse ao seu aluno que, ao

longo de sua vida, ele descobriu ter dentro de si dois cães

– um bravo e violento, e o outro manso, muito dócil.

Diante daquela pequena história o aluno resolveu

perguntar — E qual é o mais forte? O sábio respondeu — o

que eu alimentar.

Podemos alimentar as soluções que traremos a partir das dores vividas.

Os aprendizados que Mick Fanning teve através de suas dores com certeza o transformarão para o ano que virá.

3-Falta de vontade é apenas a ponta do iceberg

Em uma opinião pessoal, o mais talentoso surfista de minha geração é John John Florence, um havaiano de 23 anos.

Nunca ouviu falar? Veja este vídeo na clássica direita de Keramas, em Bali, que ilustra bem o que estou falando.

Existem surfistas que se destacam no free surf (prática do esporte que não envolve competição), mas não conseguem repetir a dose nas competições.

Para não dizer que esqueci, sim, ele venceu etapas épicas e uma Tríplice Coroa (premiação a parte para o melhor competidor em três etapas consequentes no Hawaii). Porém poderia muito mais.

Sonho (e não sou o único) em um John John com força de vontade a ponto de brigar pelo título e mostrar que estou errado, como estive com Medina.

Será que ele nunca estará no páreo como um competidor? Por enquanto não sabemos. O certo é que seu potencial é assustador.

O desânimo, por conta de algo que não saiu como deveria, como uma lesão, é perigoso.

Perder a vontade é perder a vitalidade.

Há algo que trava o seu potencial? Você poderia ter sido melhor no ano que passou? O que pode ter sido melhor?

Entender o que nos trava, o que nos atrapalha, e o que nos impede de ir para a frente já é o começo para a superação. 

Como não lembrar do surfista manézinho Neco Padaratz? Em 2002, na etapa de Teahupoo (no Taiti), ele quase morreu em uma bomba. Porém, três anos depois, teve a coragem de voltar para dar a volta por cima.

A força de vontade é tudo. E a falta dela pode ser muito prejudicial.

4-Gentileza gera gentileza

Já pensou quão importante seria uma parceria para seu negócio?

Como exemplo, lembro da parceria entre a empresa Resultados Digitais e a startup Rock Content. A primeira tem um software de inbound marketing. A segunda tem o marketing de conteúdo, que é a “gasolina” do inbound, como o seu carro chefe.

Imagine os benefícios de uma parceria: materiais educativos feitos em conjunto; indicações; crescimento em mútuo…

No mundo do surf, dois episódios marcaram o Pipe Masters de 2014 e 2015.

Em 2014, o surfista de Bombinhas/SC, Alejo Muniz derrotou Kelly Slater e Mick Fanning. E assim foi fundamental para a conquista de seu amigo Gabriel Medina.

Quem diria? No ano seguinte, Medina enfrentou nas semi-finais o cara que poderia impedir Mineirinho de vencer seu primeiro título: Mick Fanning (o mesmo do tubarão e da perda do irmão).

Em uma manobra incrível, que aparecerá no item 5 deste post, Medina, que fora auxiliado no ano anterior, auxiliou seu parceiro para conquistar o título.

Ouvi muito: “Medina queria almejar a Tríplice Coroa!”; “Ele simplesmente ganhou, a questão da amizade não influenciou nada”; ou até “Ele fez o que já faria”.

Porém, penso que a vontade de Medina dobrou quando entendeu que ele poderia ser uma alavanca muito grande para a conquista de Adriano de Souza.

Lembram nas aulas de biologia quando estudávamos o mutualismo? Para quem não recorda, é uma relação harmônica em que ambos se beneficiam.

Certa vez ouvi falar que somos a média das cinco pessoas que mais andamos. Se queremos andar para a frente, boas amizades podem nos auxiliar a querer mais.

Como líquens e fungos, Medinas e Mineiros, entendamos que as parcerias podem nos fazer voar mais alto!

5-A criatividade pode nos colocar no pódio dos vencedores

Nas 12 etapas do WCT temos ondas muito diferentes.

Algumas são mais tubulares (onde o surfista ganha a maior nota ao encarar um tubo) e outras mais manobráveis (onde rasgadas, aéreos e cut backs, dentre outras manobras são o principal foco dos juízes).

Sem dúvida alguma, Pipeline é uma onda completamente tubular. O problema é quando o vento muda, e os tubos vão rareando.

Na semi-final do Pipe Masters de 2015, encontramos um mar difícil de ser surfado. Medina contra Mick Fanning.

O australiano, logo no início, achou um tubo que lhe valeu 7,33. E a bateria foi rolando, mas sem tubos expressivos.

Faltando exatos 3min17seg para o fim, o brasileiro de 22 anos resolveu usar da criatividade pra voar.

Sim, a criatividade pode solucionar os maiores problemas! Medina deve ter pensado: “Os tubos não estão abrindo. Portanto, vou arriscar um aéreo”.

Um aéreo, no mundo do surf, é simplesmente um vôo sobre a onda.

Hoje em dia, com pranchas cada vez mais leves, se torna um diferencial em certos momentos.

E não é que deu certo? Ele atingiu um 6,50, e virou a bateria.

A grande lição é: até em ondas ditas tubulares podemos achar aéreos. Basta querer!

Em situações contraditórias, conseguimos dar a volta por cima utilizando de criatividade, que gera a inovação. Os juízes do WCT (por vezes) parecem gostar de inovação, assim como seu professor, seu chefe, seu diretor.

Que em 2016, consigamos:

1-Antecipar o que há por vir

2-Enxergar novos inícios na vida

3-Ter força de vontade

4-Achar boas parcerias que nos levem pra frente

5-Permitir a criatividade nas mais diversas situações

Um excelente ano!

3 comentários em “5 lições aprendidas com o Pipe Masters 2015”

  1. Baita Post! Concordei com todos os tópicos! A horas penso como o surf tem me ajudado a pensar diferente em outras coisas da vida, principalmente na parte profissional. Dá-lhe Lui!

  2. Ótimo ponto de vista Lui,

    Aprender com o esporte é certamente muito justo, por mais que haja
    empenho e treino, nem sempre as coisas saem da maneira planejada.

    Tudo aquilo que acontece, se observado de um ponto de vista otimista,
    é sempre uma fonte de boas lições, que vão nos ajudar a evoluir sempre!

    Abraço e até breve…

  3. Muito bom o post. Bem escrito, com tópicos claros e boas mensagens que vou usar para refletir para 2016. De quebra aprendi um pouco de surf 😉
    Parabéns, Lui.

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