“Scar Tissue” (Anthony Kiedis) – Frases de Livros

Ótimo livro da Biografia de Anthony Kiedis.

Tive uma infância marcada por Red Hot Chili Peppers – lembro do show gravado em algum Hollywood Rock ou Woodstock 94 mesmo, depois ganhei de natal com meu primo “Californication” assim que saiu, e “By the Way” foi meu segundo e último CD dos caras.

Depois de ver o recente Doc “The Rise of the Red Hot Chili Peppers: Our Brother, Hillel”, resolvi ler o livro por indicação de um amigo.

Vale a pena pra quem gosta de música, apesar de achar que ainda faltou um “fechamento” no livro no sentido de alguma conclusão, lição, finalização em si. Carrossel de emoções.

Seguem as melhores frases que apontei lendo:

Flea e Hillel tinham uma estranha telepatia entre eles, bastava se olharem para saber o que tocar. Flea inventou uma linha de baixo, Hillel inventou um improviso de guitarra funk e Jack Irons, o baterista do What Is This, deu o ritmo. Então fui escrever uma letra.

O palco era microscópico. Se eu estendesse os braços tocaria Hillel ou Flea. Não nos apresentaram direito, mas as pessoas começaram a prestar atenção quando estávamos ligando os instrumentos. Instintivamente percebi que o milagre de manipular energia, usar uma fonte de poder infinita e dominá-la num pequeno espaço com os amigos era o que eu tinha vindo fazer nesta terra.

Eu ficava feliz em planejar nosso próximo show, porque cada um era monumental para mim. Nem conseguia dormir na véspera, pensando na apresentação. E quando dormia sonhava com o show. Ao acordar, a primeira coisa que pensava era “Hoje tem show!”, e passava o dia todo pensando nos números.

Um dia, Jack estava com um paninho na mão limpando delicadamente o braço da guitarra. Então pegou em sua sacola um frasco e começou a borrifar um produto. – Que merda é essa? O que você está fazendo com a guitarra? – perguntei. – Ah, isto é Fingerease. Ajuda os dedos a deslizar. Eu estava acostumado com Hillel, que tocava com tanta força que os dedos rachavam. Ele sabia que a noite tinha sido boa quando a guitarra ficava coberta de sangue.

Depois do show, Flea e eu invadimos a sala de mídia da MTV. George Clinton, Madonna, Lou Reed e James Brown estavam em um painel de debates, mas Flea e eu tomamos conta da área de entrevistas. Foi o início de nossa rotina de “monstro de duas cabeças”; ao contrário de algumas bandas, nós não tínhamos um único porta-voz. Fomos os dois bocas-grandes desde o início, sentando na mesma cadeira e usando o mesmo microfone. Infelizmente isso se dissipou com os anos. Ficávamos felizes em ter um refletor para compartilhar. Acho que a simbiose é uma coisa que diminuiu com o tempo, sem motivo. É triste. Íamos ao Zero Club no início e nos apresentávamos às pessoas como In e Out. Dormíamos lado a lado nas estações de trem. Hoje não poderíamos morar na mesma casa.

– Esta é demais – eu disse. – Pegue-a. Pode ficar com ela – disse Nina. – Puxa, não. É a jaqueta mais bonita que você tem aqui. – É por isso que a dou para você – ela explicou. – É sempre importante dar coisas; isso cria boa energia. Se você tem um armário cheio de roupas e quer guardar todas, sua vida vai ficar muito pequena. Se você der algumas delas, o mundo será um lugar melhor.

Eu estava explodindo no microfone, cantando “Give it away, give it away”, com Flea voando no baixo, Chad rindo histericamente e John procurando um lugar para encaixar a guitarra, e não paramos. Todos saímos dali convencidos de que tínhamos feito uma grande canção. A ênfase de Rick na mecânica da composição levou a uma tradição que ainda usamos hoje, chamada “confronto”. Digamos que a gente esteja trabalhando em uma música e tenhamos o verso e o refrão, mas precisamos de uma ligação entre partes e nenhum trecho se encaixe ali. John e Flea desligam suas guitarras e correm para ficar cara a cara. Daí um deles vai para o estacionamento, o outro vai para um corredor e cada um tem cinco minutos para encontrar uma ideia. Ambos voltam, todos escutamos objetivamente e depois decidimos qual parte fica melhor. Os confrontos são uma ferramenta fantástica para desenvolver um trecho, pois são espontâneos e criativos. Quando o processo termina e Chad, John e Flea já inseriram suas partes ali, cada um de nós acaba sendo igualmente dono da música.

“Não quero me estender sobre a viagem de River, porque sua família é muito sensível sobre isso, mas desde que o conheci ele bebia muito e usava muita cocaína; não era segredo para ninguém que o conhecia que ele estava descontrolado e era apenas uma questão de tempo até coisas ruins começarem a acontecer. River era um grande fã de nossa banda, e eu escrevi um verso inteiro sobre ele em “Give It Away”: “There’s a river, born to be a giver, keep you warm, won’t let you shiver/ His heart is never going to wither, come on everybody, time to deliver”.”

“Ele ficava furioso, se escondia e não queria fazer o que eu queria. Esse foi o meu grande erro, querer que todos reagissem à situação da mesma maneira que eu. John já tinha decidido o que era legal, e tocar para um estádio cheio de garotos deixou de ser legal para ele. Preferia estar em casa escutando Captain Beefheart e pintando. John estava lendo muito William Burroughs na época, e sua ideia, tirada de Burroughs, era que todo verdadeiro artista está em guerra com o mundo.”

“Comecei a perceber que eu tinha sido muito controlador, querendo tudo de acordo com meus planos, o que era a maior idiotice. Eu costumava pensar que tudo seria ótimo se Flea se comportasse de tal maneira e John fizesse o que eu queria, e acho que foi o maior erro que cometi na época, achar que eu sabia mais ou que se todo mundo seguisse meu plano as coisas seriam ótimas. Era uma receita para a tristeza e a ruína.”

“Apesar de tudo isso, tivemos um começo estranho, pois nem todo mundo se ajustava imediatamente à nossa dinâmica. Eu achava que todos os guitarristas eram como John e Hillel: você mostrava a eles suas letras, cantava um pouco e de repente a música estava pronta. Com Dave isso não acontecia imediatamente. Lembro de ir a casa dele para aprender uma música dos Beatles e o processo era muito mais lento e difícil.”

“Dirigir até o centro já é uma experiência por si. Você passa a ser controlado por essa energia carregada que está prestes a levá-lo para um lugar ao qual você não pertence neste ponto da sua vida – porque as pessoas são homicidas e há tiras por todos os lados, mas agora você vem de uma casa bonita nas montanhas, dirigindo seu Camaro conversível.”

“Voltamos a Nova York antes do Ano-novo. Eu estava tão saturado do comercialismo do réveillon em Nova York e da compulsão de todo mundo em passar a melhor noite de suas vidas, que decidi ir dormir antes da meia-noite. Ficamos abraçados no sofá e assistimos a um filme e, por volta de onze e meia, apagamos as luzes e fomos dormir.”

“Permaneci no Impact o tempo que me receitaram e fiz tudo o que me pediram no curso antirrecaídas, inclusive preencher páginas e páginas de questionários, que era uma tarefa psicologicamente produtiva. Quando você começa a pôr as coisas no papel, vê um lado de suas verdades pessoais que não se revelam nas conversas ou nos pensamentos.”

“Um dos aspectos mais mistificadores dessa época de nossa banda é que tínhamos tanto entusiasmo quanto no início, se não mais. E quando nós começamos, conquistamos o mercado com nosso entusiasmo.”

“A parte boa é que estar em recuperação é uma experiência maravilhosa para mim. Adoro ir às reuniões, adoro ouvir as pessoas falarem. Os encontros me enchem de ânimo. São como uma mistura de seminário, palestra e evento social.”

“Eu já havia decidido parar de usar drogas muitas vezes, mas nunca me empenhei na manutenção diária, no cultivo de um caminho para o despertar espiritual. Acho que qualquer um que procurar ajuda, seguir todos os passos, for às reuniões e for constante no amor e na caridade seguramente se mantém sóbrio. Mas alguém que procura ajuda como eu havia feito no passado, escolhe o que quer fazer e pensa: ‘Vou fazer isso alguns dias, outros não. Vou trabalhar alguns passos, outros não. Vou resistir às minhas vontades algumas vezes, outras não’ está condenado ao fracasso.”

“Na música “Otherside” [“Do outro lado”] de Californication eu escrevi: ‘How long, how long will I slide / Separate my side / I don’t, I don’t believe it’s bad’ [Por quanto tempo, por quanto tempo eu vou recair / Me separar do meu lado / Não, eu não acredito que seja ruim]. Eu não acredito que a dependência de drogas seja essencialmente ruim. É uma experiência realmente sombria, pesada e destrutiva, mas será que eu trocaria minha experiência pela de uma pessoa normal? De jeito nenhum. Foi horrível e conheci algo que causa muita dor, mas não a trocaria por nada. Trata-se de apreciar cada emoção do espectro em que vivo. Não saio do meu caminho para criá-las, mas descobri um modo de assumir cada uma delas.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *