Minhas 11 respostas para ótimas perguntas sobre a vida

Na foto do post: um presente que ganhei após palestrar num evento há uns anos atrás. Essa caneca já virou meme, figurinha de Whatsapp, e resolvi ilustrar o post com ela.

Quem me conhece sabe que sou muito fã de Tim Ferriss.

O livro “Ferramenta de Titãs” foi o melhor do meu 2020, e iniciei 2021 lendo o (por enquanto só em inglês) “Tribe of Mentors”.

Tim Ferriss Gathers Expert Life Advice in 'Tribe of Mentors' – Dan's Papers

Este livro entrevista pessoas através de 11 ótimas perguntas, acho que as melhores perguntas que um entrevistador poderia fazer sobre a vida.

Já que o início do ano é um período de reflexão, resolvi eu mesmo responder essas 11 perguntas aqui no Blog, e desafio você a refletir e se possível também escrever suas respostas para essas perguntas.

Quanto mais temos clareza sobre a vida, mais temos noção e direcionamos o futuro que queremos. É um exercício útil para sermos uma versão melhor de nós mesmos.

Vamos lá!

Quais os livros que você mais deu de presente para outras pessoas e por quê? Que livros mais influenciaram a sua vida?

Acredito que os 2 livros que mais presenteei pessoas foram:

O Encontro (João Mohana) – A riqueza dos Evangelhos detalhada a partir da imaginação de um grande escritor. Recomendo a todos, especialmente quem não conhece muito sobre o Homem que dividiu o mundo em um antes e um depois. Redescobri Jesus (a pessoa mais importante pra mim) a partir desse livro.

A Alegria de Ensinar (Rubem Alves) – Acredito que todos somos professores, para clientes, amigos, filhos, etc. E esse livro me faz relembrar a profunda alegria de ensinar, o poder que as palavras têm, e como transformamos o mundo a partir disso. São pequenos contos e muito valiosos.

O livro que mais influenciou minha vida foi:

Walden (Thoreau) – Sinto que minha conexão com este livro vai me acompanhar por muito tempo, espero eu. Sempre que acho que estou no caminho certo, revisito partes do livro. Este livro é um dos responsáveis por não considerar normal trabalhar 3 turnos, por exemplo. Walden serve como um guia para lembrar que tudo tem seu fim e me faz ter vontade de ir em águas mais profundas da minha espiritualidade, carreira, vida, para “não morrer descobrindo que não vivi”.

Que compra de menos de 100 dólares mais impactou positivamente a sua vida nos últimos seis meses?

Sem dúvida alguma um Kindle.

Sempre resisti muito e sempre fui da turma do livro físico. Cheirar o livro. Rabiscar o livro. Colecionar livros na estante. Escolher livros que já li e reler algumas partes.

O problema é que eu destaco os melhores trechos de livros – preciso destacar para que isso possa ser útil algum dia (por isso que nunca me adaptei a audiobooks, por exemplo).

O estopim foi quando li “Sapiens – Uma breve história da humanidade” de Yuval Harari. Foram tantas anotações, tantos trechos úteis, tanto conhecimento em um livro só que estou até hoje “reescrevendo” esses trechos para um documento, já que as anotações foram feitas à caneta no livro físico. Sim, eu tenho uma pasta do Google com todos os livros que li em seus respectivos trechos.

Comprei o Kindle e ao descobrir que a funcionalidade “Destaque” faz exatamente isso – deixa as frases destacadas em um documento que pode ser exportado, tive a certeza de que usarei Kindle para todos os livros de negócios – tecnologia – e afins.

Obviamente, muitos livros de outros temas específicos eu só acho em sebo ou são tão antigos que não estão no Kindle – então não parei de comprar livros físicos exatamente por isso.

Como uma falha, ou uma falha aparente, formatou você para o sucesso? Você tem alguma “falha preferida”?

Não tenho uma falha preferida, foram (são) tantas e tão importantes!

Mas lembro de uma época da vida (cerca de 7 anos atrás) que muitos elementos da minha vida estavam no “sinal vermelho” ao mesmo tempo, como diria McConaughey.

Quando isso acontece parece que estamos em baixa em nossas relações, nossa carreira, nossa saúde, nossa espiritualidade, e tantos outros pontos e ficamos paralisados. Não que seja possível estar no “sinal verde” para todos ao mesmo tempo – utopia, mas estar no “vermelho” para quase todos é preocupante.

Nessa época, lembro que me deu na telha de sair para correr e vi que mal conseguia correr 1km sem ficar ofegante e muito cansado e pensei que era tempo de mudança (na época eu não corria, nem tinha tênis de corrida).

Desde então não há 1 dia que não me preocupe com minha saúde e pense nos efeitos que minhas escolhas de hoje terão no dia de amanhã – a isso chamo de maturidade. Não quero ser um avô de 70 anos que deixou a saúde de lado há anos.

Começar a correr, a surfar, a manter bons hábitos e a dizer “não” foram ações práticas e cruciais para conseguir virar essa chave, e desde então minha vida tem tido muitos “sinais verdes”.

É preciso a chuva para florir, mas quando estiver chovendo muito, seja franco consigo mesmo e vire a chave da sua vida em ações práticas. Não viemos para o mundo somente para sofrer ou sermos medíocres!

Se você tivesse um outdoor gigante onde pudesse anunciar uma frase para que todo mundo lesse, o que você escreveria?

Acho que a frase para esse outdoor que mais faz sentido no momento atual seria:

“Disciplina é liberdade”.

Não sei a autoria da frase, apesar de ter lido de Jocko Willink e ouvido o Legião Urbana cantar na minha infância.

A tendência da minha geração e das mais novas é confundir as coisas pela facilidade que a tecnologia trouxe. Querem liberdade antes de terem conquistado algo, antes de passarem horas se especializando no que escolheram fazer.

Quando vejo pessoas caminhando ou correndo em plena segunda-feira as 11am hoje penso: alguma coisa certa eles fizeram. O que posso fazer para daqui a alguns anos estar fazendo isso também?

Seja o melhor no que você faz, saiba que isso vai levar tempo, e essa disciplina vai te trazer a liberdade financeira, liberdade em níveis de saúde, liberdade para passar tempo com quem você ama, ou fazendo o que você gosta e por aí vai.

Quais os melhores investimentos que você já fez?

  • Carro: Talvez não faça sentido pensar que um carro é um investimento, mas quando consegui me organizar para comprar um carro (com ajuda familiar) minha vida mudou. Ganhei liberdade, independência e consegui fazer meus horários – não depender de ônibus ou de outros. Até hoje tenho meu velho e bom Sandero. Às vezes não é sobre ter retorno financeiro, mas sim da liberdade que ganhamos.
  • Pagar 100% das minhas próprias contas: Nos primeiros anos da minha carreira essa foi a meta, e essa meta foi cumprida com sucesso. É muito bom andar com as próprias pernas, ser o senhor de suas decisões e conquistar suas próprias coisas. Acho que é o mínimo que podemos fazer por familiares que nos sustentaram desde antes do nosso nascimento. Então, investimentos em aluguel, luz, gasolina, melhorias, mudanças e afins seriam essa resposta.
  • Anel de noivado: Acho que essa foi a decisão mais importante da minha vida. Obviamente cada centavo valeu a pena, e hoje me sinto muito mais completo sabendo que foi o primeiro passo para o resto da minha vida. Até o trabalho ganha um sabor diferente, os clientes parecem ser mais interessantes, a vida tem um norte diferente. Não é sobre fazer as coisas pra mim, mas pra um nós.

Qual hábito incomum você tem ou coisa absurda que você adora?

Decoro coisas que não fazem o menor sentido, geralmente por ano.

Exemplo: se você me der 3 anos aleatórios, como 1985, 1989 e 1995 por exemplo eu logo vou lembrar:

1985 – Coritiba campeão nos pênaltis em cima do Bangu; aquele samba da Mocidade do “Ziriguidum 2001”; Rock in Rio com Ney Matogrosso cantando “Pro dia nascer feliz” de Cazuza em referência às Diretas Já.

1989 – Vasco com um timaço; o início da Copa do Brasil; o surgimento de duas agremiações: Paraná Clube no futebol e primeiro desfile da Grande Rio no carnaval; a queda do Muro de Berlim e Pedro Bial fazendo a cobertura.

1995 – Botafogo campeão em cima do Santos (roubado ou não?); aquele samba que amo da Portela cantando pelo Rixxa; aquele estranho samba da Estácio que a torcida do Flamengo canta até hoje; Protegidos da Princesa homenageando Duduco – Um ser de luz na avenida em Floripa.

Não faz o menor sentido.

Por outro lado, eu não tenho memória espacial.

Se não fosse o Waze eu não arriscaria chegar em lugares novos, outras cidades e afins – eu literalmente não decoro lugares e preciso me esforçar muito para conseguir não me perder sem a ajuda do meu celular. Faço parte do Getting Lost, uma comunidade de pessoas tão perdidas quanto eu.

Sim, se o Waze resolvesse cobrar R$100 por mês, eu seria o primeiro assinante.

Nos últimos cinco anos, que novas crenças, comportamentos ou hábito mais fez com que sua vida melhorasse?

Desde que entrei no mundo de Startups e conheci algumas pessoas inspiradoras percebi que todas tinham algo em comum: eram “motoristas de suas vidas”, pessoas proativas.

Há uma diferença enorme disso e de estar sentado “no banco do carona”, deixando que outras pessoas te guiem na vida, te digam o que fazer, como fazer.

A vida não nos deve nada, as pessoas não nos devem nada e nos decepcionamos bastante ao longo do anos. Essa é a vida real: ou você assume a direção e faz alguma coisa sobre isso, ou você correrá sérios riscos de ser expectador da própria história.

Que má recomendações você costuma ouvir na sua área de atuação?

Em tecnologia e startups, sem dúvida a ideia de “escrito em pedra”.

Exemplo: Customer Success é isso aqui. Se você adaptou-personalizou para seu negócio e agora faz “aquilo ali”, não entra no que eu chamo de Customer Success por causa disso e daquilo.

É a mesma coisa de falar que Inside Sales não é Vendas porque Vendas de verdade é bater porta a porta vendendo enciclopédia.

Acho impressionante como muitas pessoas não são abertas a novos cases, novidades e afins, mesmo no setor do mercado que era pra ser o oposto disso.

Nos últimos cinco anos, no que você ficou melhor em dizer “não”?

Para compromissos de domingo a quinta-feira.

Já que tenho insônia naturalmente, se durmo mal porque fui num evento numa segunda a noite e preciso acordar cedo na terça, boa parte da minha semana está prejudicada.

Sou criterioso com isso porque sei que só uma pessoa é prejudicada no fim das contas: eu mesmo.

Até por isso que hoje percebo que não vamos conseguir agradar todos a nosso redor. Sempre seremos “sumidos” para um certo grupo e “presentes” para outro – e isso faz parte da vida.

Quem diz “sim” pra tudo dificilmente atinge objetivos significativos, pra falar a verdade, essas pessoas dificilmente conseguem ler regularmente ou focar em algo regularmente.

Quando você se sente sobrecarregado ou sem foco, o que você costuma fazer?

Uma lista (checklist) usando o Google Agenda.

Assim consigo entender as atividades que preciso cumprir.

Quando sobrecarregado, preciso me “recarregar”. Normalmente com atividades ao ar livre, com sol, com pessoas que amo, na minha cidade.

Que conselho você daria a estudantes que estejam se formando agora na profissão que você tem? Que conselho eles deveriam ignorar?

O conselho que eu daria, li em Matthew McConaughey: “Seja menos impressionado; seja mais envolvido”.

Não se impressione com provas, trabalhos, surpresas negativas, dúvidas e tantas coisas que acontecem nos anos de faculdade. Se envolva, busque soluções, faça amigos e networking, participe de eventos, faça estágios (se preciso, não remunerados).

O conselho que devem ignorar seria: você está na faculdade para passar em todas as matérias. Algum dia escreverei um livro sobre a quantidade de pessoas que, pós-faculdade, não conseguem atingir nada na vida porque o mercado não vai te dar uma data pra apresentar um trabalho, o mercado está se lixando. A mesma história de ser motorista (proativo) e não carona (reativo).

Não espere se formar para tomar esse susto que pode te imobilizar por anos ou pelo resto da vida.


Até a próxima!

‘O Gênio Idiota’ + ‘Eis o Homem’ (Paulo Sant’ana) – Frases de Livros

Sant’ana, um gênio da crônica, do rádio e do jornal!

Integrante polêmico do Sala de Redação, Jornal de Almoço e muitos outros programas, é um cara que vim a conhecer no fim de sua vida.

Cronista de primeira categoria, reúne nesses 2 livros – “O Gênio Idiota”, de 1997 e “Eis o Homem”, de 2010, as melhores crônicas até então, com seu sarcasmo peculiar.

Faleceu em 2017 deixando o jornalismo esportivo órfão de um personagem carismático dos poucos que nos restaram.

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Sobre respeitar o tempo do seu mentor ou expert

Não há nada errado em querer fazer benchmarking, ou pedir uma mentoria gratuita – se inteirar sobre outra empresa, outra operação, outra pessoa que passou pelo que você passa.

Mas, acredito que precisamos respeitar mais o tempo do outro.

Explico: muitas vezes vejo grupos de Whatsapp ou até mensagens no inbox: “Vi [TAL COISA] e queria fazer um bench!”.

Afinal, qual o objetivo deste bench-mentoria? Qual desafio você passa? Precisa necessariamente acontecer via call (reunião remota)? Qual sua empresa? Qual seu modelo de negócio? Por que acha que a pessoa que você procurou vai te ajudar a solucionar exatamente?

Deixo uma dica interessante abaixo, baseada na teoria que o grande escritor Stephen King tem sobre conseguir coisas de outras pessoas:

“Olá, [NOME]! Vi que você é especialista em [ALGO] por causa de [ALGUMA COISA QUE LI OU VI OU UMA PESSOA EM COMUM].

Estou passando por [DESAFIO ATUAL] e seria valioso poder entender o que posso fazer melhor por aqui.

Você teria disponibilidade para conversar [X MINUTOS] sobre o assunto – ou se não tiver tempo no momento, podemos fazer por [OPÇÃO B e C, por exemplo Áudios do Whatsapp ou E-mail estruturado]?

Muito obrigado!”.

Ah, e assim que a pessoa aceitar, se comprometa a enviar previamente as principais perguntas ou desafios que você tem.

Certa vez passei 1h conversando com um time que mal sabia qual o desafio que tinha em mãos. Dava pra ver que não estava claro o por que daquela sessão de mentoria pra nenhum dos lados – não foi a primeira vez que isso aconteceu.

Respeite o tempo do outro, e assim você conseguirá ter melhores relações, benchmarks e um networking bacana!

O dia que você se tornou um escritor melhor

Este post simples foi feito por Scott Adams, criador de Dilbert, e está presente no seu Blog: https://dilbertblog.typepad.com/the_dilbert_blog/2007/06/the_day_you_bec.html

Resolvi traduzir ele para conseguir enviar para o maior número de amigos possível, após grandes referências que tenho no mercado citarem o mesmo post.

Divirta-se! Lui.

“Passei de um péssimo escritor a um bom escritor depois de fazer um curso de um dia em “redação de negócios”. Eu não conseguia acreditar como era simples. Vou te contar os principais truques aqui para que você não tenha que perder um dia de aula.

A escrita de negócios tem a ver com clareza e persuasão. A técnica principal é manter as coisas simples. A escrita simples é persuasiva. Um bom argumento em cinco frases influenciará mais as pessoas do que um argumento brilhante em cem frases. Não lute contra isso.

Simples significa livrar-se de palavras extras. Não escreva “Ele estava muito feliz” quando você pode escrever “Ele estava feliz”. Você acha que a palavra “muito” acrescenta algo. Não importa. Limpe suas frases.

A escrita de humor é muito parecida com a escrita de negócios. Precisa ser simples. A principal diferença está na escolha das palavras. Para fazer humor, não diga “tomar uma bebida” quando você pode dizer “tomar um trago”.

Sua primeira frase precisa prender o leitor. Volte e leia minha primeira frase deste post. Eu reescrevi uma dúzia de vezes. Isso te deixa curioso. Essa é a chave.

Escreva frases curtas. Evite colocar vários pensamentos em uma frase. Os leitores não são tão espertos quanto você pensa.

Aprenda como os cérebros organizam ideias. Os leitores compreendem que “o menino acertou a bola” mais rápido do que “a bola foi acertada pelo menino”. Ambas as frases têm o mesmo significado, mas é mais fácil imaginar o objeto (o menino) antes da ação (a batida). Todos os cérebros funcionam dessa maneira. (Observe que eu não disse: “É assim que todos os cérebros funcionam”?)

É isso aí. Você acabou de aprender 80% das regras de uma boa redação. De nada.”

Scott Adams