Bendita seja a concorrência!

Nos últimos tempos, muito ouvi falar sobre concorrência.

Um mal necessário? Alguém que nos faz crescer? Qual é o limite que devemos ter quando o assunto é esse?

Quando penso em concorrência, penso em Grêmio e Inter, penso na chamada “Dupla Grenal” (Grêmio x Internacional).

Em 2013, quando preparava meu TCC que tinha como assunto um Podcast de Jornalismo Esportivo, me deparei com um livro que chamado “A História dos Grenais”, relatando um pouco sobre a disputa entre dois rivais, mas mais que isso, qual a importância de um para o outro.

Logo na introdução, uma frase de Rudy Petry, presidente gremista nos anos 60 resume tudo:

“O Grêmio é grande devido à grandeza do Internacional”.

E complementaria um de meus ídolos literários, Luis Fernando Verissimo:

“Não somos bons porque somos mais europeus ou mais fortes, somos bons porque o Internacional precisa ser melhor que o Grêmio, que precisa ser melhor que o Inter, que morre se não for melhor que o Grêmio”.

A história, resumida em fatos, nos ajuda:

-O Grêmio tinha o estádio da Baixada
-Aí o Inter construiu o estádio dos Eucaliptos, para sediar a copa de 1950 e montou o “Rolo Compressor”, um time melhor que o Grêmio
-Em 1954, o Grêmio fundou o estádio Olímpico, e os títulos voltaram
-O Inter, por sua vez, em 1969 fundou o estádio Beira-Rio e conquistou o Brasil
-Já o Grêmio, para não ficar por baixo, reformou o Olímpico e se tornou Campeão da América e do mundo
-Para não ficar por baixo, o Inter reformulou seu quadro social e depois de 23 anos igualou-se ao rival para conquistar América e mundo
-Hoje, em 2017, o Grêmio com seu novo estádio (a Arena) se encaminha para uma maré boa, de títulos novamente

E assim vai…

Fazendo esse comparativo, o primeiro ponto que precisamos refletir é: Estar em um oceano azul (sem concorrentes, um mercado não habitado) é algo bom, mas estar em um oceano vermelho tem suas vantagens pois podemos olhar para a concorrência.

Trago três premissas importantes quando tratamos deste assunto, para que possamos aprofundar:

1-“Não olho para a concorrência”

Este primeiro tipo pode ser visto como desrespeito: se não olho para esta empresa, não a respeito.

“Mas sou imensamente maior que meu concorrente! Para que olharia para ele?”

Peço que faça essa pergunta a:

-Blockbuster, no começo do Netflix
-Kodak, quando surgiram as câmeras digitais
-Blackberry, ao não incluir telas touch screen
e por aí vai.

Empresas que faliram -ou quase- pois não olharam para o lado e não inovaram.

Portanto, é mister para toda a empresa que deseja ter continuidade saber ouvir, respeitar, acolher, e estudar seus concorrentes. Um bom benchmarking pode mudar o rumo de uma empresa.

2-“Vivemos para ser melhor que nossos concorrentes”

O outro lado da moeda é olhar de forma exagerada e acordar todo dia somente para ser melhor que um concorrente.

Gosto bastante do conceito de Jogos Finitos e Jogos Infinitos.

Jogos finitos são como o já citado futebol: aos 45min do segundo tempo (mais os acréscimos) o jogo acaba. Um time ganha, outro perde e vamos para a próxima. Ambos jogam pra vencer o outro.

Jogos infinitos, pelo contrário, são eternos. É olhar para aprender do concorrente, mas saber que o que importa para uma empresa é ser melhor que ela mesma. Os times aqui jogam para se manter no jogo. E com isso, impossível não lembrar de duas palavras-chave: propósito e sentido.

Uma vez ouvi de um executivo: “Nossa missão é derrubar o [nome do concorrente]”.

Legal! Mas isso não é o meio e sim o fim. A frase poderia ser: “Nossa missão é darmos o máximo de nós mesmos para conquistar o pedaço de mercado que queremos, cada vez mais”. Os funcionários agradecem!

Outro exemplo que gosto bastante é a Guerra do Vietnã.

Enquanto os Estados Unidos estavam focados em vencer o inimigo, o Vietnã do Norte apenas lutava pela sua sobrevivência, mantendo o jogo o tempo que fosse preciso. Muitos autores afirmam que um dos motivos era: o Vietnã do Norte jogava “em casa” e muitas vezes por isso teve o controle das situações.

E sua empresa, joga Jogos Finitos ou Infinitos?

3-“Respeito à concorrência”

Por fim, o terceiro e mais equilibrado ponto.

Não conheço uma pessoa que tenha passado para Medicina só para passar por cima dos concorrentes, e sim pelo fato que realmente queriam seguir a carreira na área.

É importante ressaltar que respeitar não é gostar, venerar, não agir. Respeitar é estar aberto ao que o outro tem a oferecer e tentar entender o máximo sobre “por que eles fazem o que fazem?”.

Respeite seus concorrentes!

Eles te fazem:
-superar em vez de acomodar;
-inovar em vez de envelhecer;
-transformar em vez de manter.

Mar calmo nunca faz bom marinheiro.

E aí, o que seu concorrente anda fazendo de bom por esses tempos? O que fará sua empresa ser melhor do que ontem?

Abraço!

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