5 pontos para refletir o que é Web3 e como isso poderá mudar nossas vidas

Web3: termo amplamente citado, discutido, que entrou no hype atual do mundo de tecnologia e até fora dele.

-Mas afinal, o que é Web3?

-Como entender Web3?

-Web3 já se provou?

-Ou Web3 não passa de uma possibilidade ao falarmos do futuro de tecnologia?

Vou responder essas e outras perguntas neste post, mais longo que os outros deste humilde Blog, para que consiga ajudar o maior número de pessoas.

Peguei como base alguns artigos para escrever este artigo, especialmente as ideias de Tim O’Reilly – que definiu o termo Web 2.0 há mais de 15 anos atrás.

Ponto 1: Centralização, descentralização e Web2 x Web3

Gavin Wood, um dos co criadores do Ethereum, define a Web3 como:

“Menos confiança, mais verdade”.

Ou seja, menos confiança por exemplo em uma Big Tech como o Google – que tem poder sobre a forma com que as coisas são feitas e geridas, e mais independência com relação a protocolos.

Wood afirma que o blockchain substitui a confiança nas “boas intenções” de empresas, pela completa transparência alinhadas à tecnologia.

Dando passos atrás, Web2 é a versão da internet que conhecemos hoje. A versão em que confiamos em empresas e como elas usam nossos dados, por exemplo.

Web2, portanto é um mundo onde a internet é dominada por empresas que prestam serviços em troca dos meus, dos seus dados pessoais.

Web3 no contexto do Ethereum se refere a aplicativos descentralizados que são executados no blockchain. Aplicativos “democráticos” que permitem que qualquer pessoa participe sem monetizar seus dados pessoais.

Quer um exemplo de centralização para contrapor o conceito de descentralização? 

Lá vai: A Microsoft de Bill Gates descobriu como re-centralizar a indústria em torno de um sistema operacional proprietário – o Microsoft Windows.

Quando meu avô comprou o primeiro computador pessoal lá em casa, em 1996, tínhamos o famoso Windows 95 e seu plano de fundo com lindas nuvens – quem lembra disso? Pois então.

Ao longo dos anos, o software de código aberto, a internet, e a World Wide Web romperam isto com protocolos abertos – mas aí entraram Google, Amazon, Facebook e afins (as Big Techs que já comentei) para construir monopólios baseados em Big Data.

O que Tim O`’Reilly acha de uma possível descentralização? Na opinião dele, a tendência ao longo da evolução é a criação de modelos voltados a re-centralização.

Por exemplo: mineirar Bitcoin com menos custos de energia para a computação. Existirão outras maneiras de ficarmos presos na centralização, segundo o autor.

Ponto 2: Web3, criptomoedas, blockchain viraram palavras glamourizadas

Glamourização das coisas. Está na moda glamourizar tudo quanto é atividade. E com a Web3 não é diferente.

O problema é: nenhum dos artigos publicados nesses meios foca na utilidade do que está sendo criado, via Web3, e sim em “quem está por dentro, vai ficar rico!” e coisas desse tipo.

As criptomoedas, como o Bitcoin, podem ser o futuro das finanças, mas por ora é impossível saber o que realmente está funcionando. Elas ainda são uma especulação que possivelmente estejam super valorizadas.

Mesmo que empresas como a Coinbase estejam ganhando muito dinheiro, precisamos separar as coisas: o que está sendo negociado não é dinheiro, mas uma classe de ativos específica que não faz parte do nosso dia a dia de maneira geral – apesar de que estamos começando a ter exemplos da utilização de cripto para transações financeiras aos poucos.

Segundo O`Reilly, para que a Web3 se torne um sistema financeiro de confiança descentralizada, precisa desenvolver interfaces com o mundo real, seus sistemas jurídicos e a economia operacional:

“O dinheiro fácil a ser ganho especulando em ativos criptográficos parece ter distraído desenvolvedores e investidores do trabalho árduo de construir serviços úteis do mundo real”.

Ou seja, a utilidade não é clara por enquanto.

Existem sim oportunidades para a Web3 além de especulação financeira, por exemplo, usando criptografia para ativos digitais em mundo independente como o Metaverso tão falado, um em um jogo digno de um episódio de Black Mirror.

Mesmo assim, estamos longe do nascimento de um sistema econômico totalmente novo.

De qualquer forma, como Matt Stoller escreveu em um artigo recente: “Web3 é besteira – comparado ao que?” ou seja, o atual sistema econômico também está repleto de fraudes e é manipulado a favor de insiders. Não existe santo.

Ponto 3 – Então… estamos em uma bolha em tecnologia? Web3 pode ser parte da bolha?

Se a utilidade não é clara, bolha é uma palavra que vem a mente.

Segundo O’`Reilly, existem 2 tipos de bolha, que em tradução livre seriam explicadas da seguinte forma:

1-A bolha “meramente especulativa”

O melhor exemplo são as tulipas holandesas (1634 – 1637).

Esse foi um exemplo clássico da enorme diferença entre o valor financeiro nominal de uma classe de ativos, e o seu valor verdadeiro. Clique aqui e entenda mais.

Um certo momento a bolha estourou e perceberam que as tulipas eram apenas lindas flores mas não valendo uma grande fortuna.

2-A bolha “consequência de transformações tecnológicas”

Essa segunda bolha é explicada a partir de um raro livro de tencologia que inclusive estou lendo neste exato momento (só consegui a edição em espanhol!) e que vou postar neste Blog futuramente.

O livro se chama “Technological Revolutions and Financial Capital: The Dynamics of Bubbles and Golden Ages” da autora Carlota Perez.

Ela observou, em resumo, que todas as grandes transformações passadas: Revolução Industrial; Energia a vapor; Era do aço; Era da eletricidade; Era da maquinaria pesada; Era dos automóveis; Era do petróleo e produção em massa; e finalmente internet… 

…foram acompanhadas de uma bolha financeira.

Portanto, houveram uma bolha de canal, de ferrovia, e a famosa bolha das pontocom (lá no final dos anos 90, quando Carlota Perez estava terminando seu livro). 

A questão é: surgiram vários ciclos menores dentro do grande ciclo “Tecnologia”:

O mainframe; o PC; a internet; o smartphone e talvez as criptomoedas, o Metaverso, a Web3.

Então a pergunta que fica é: o que estamos chamando de Web3 é o período de investimento de um novo sub-ciclo de Tecnologia ou é a bolha que Carlota Perez prevê do período anterior?

Só o futuro dirá.

De qualquer forma, qual a medida de adoção que temos para a Web3 estar sendo incorporada? Existe uma “meta” dela fazer parte da população mundial a cada ano? O que seria essa adoção? Como saberemos se está fadada ao fracasso especulativo ou se é o próximo sub-ciclo já citado nas ideias de Carlota Perez?

Ponto 4 – As características da bolha das pontocom

O’Reilly, na sua obra sobre Web2 traz observações interessantes sobre a época da bolha das pontocom, como:

-Todas as empresas que sobreviveram estavam ganhando muito dinheiro, como Amazon por exemplo

-Nenhum precisava levantar enormes somas de dinheiro a partir de investimento para os padrões de hoje

-Todas elas tinham milhões -> e depois bilhões de usuários ativos para serviços que resolveram muitos problemas e mudaram a forma de vermos o mundo

-Todas construíram ativam únicos e duradouros na forma de dados, infraestrutura e modelos de negócios diferenciados

-Faz muito tempo desde o final dos anos 90. Não existiam Google Maps, iPhone, Android. Pagávamos as coisas com dinheiro e cheque, e não haviam redes sociais ou AWS e computação em nuvem como temos hoje

Isso tudo quer dizer que as empresas que sobreviveram naquela época resolviam problemas, eram úteis e não havia dúvida de como eram utilizadas no dia a dia.

Ps: Recomendo a leitura desse post sobre e do livro “O Lado Difícil das Situações Difíceis” de Ben Horowitz.

Ponto 5 – Web3 como resolvedora de problemas x Web3 como “ganhar dinheiro fácil”

Concluindo, podemos dizer que:

“Ainda é cedo!”. 

Há muito para acontecer, há muito para ser criado. Assim como após a bolha das pontocom, a frase acima também se aplicaria. Vivemos em um mundo completamente diferente por causa da tecnologia que foi criada e desenvolvida desde então. Não paramos no tempo.

Porém, como esse ponto já disse por si só: precisamos resolver problemas das pessoas (como fizeram as Big Techs que prosperaram desde os anos 90-00) e não prometer apenas riqueza fácil para os que apostam em quaisquer dos elementos da Web3.

Como cita O`Reilley: 

“Se a Web3 anuncia o nascimento de um novo sistema econômico, vamos tornar disto algo que aumente a verdadeira riqueza – não apenas a riqueza material, mas com bens e serviços que mudarão a vida de todos para algo melhor”.

Até a próxima!

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